
Vocês podem se perguntar o porquê de um cão se interessar por esse tema. É simples. Reflete exatamente o comportamento de um bando. Times de futebol, nesse país de pernas de pau, pseudo-técnicos e palpiteiros em geral, são o que são os brasileiros. Se cão jogasse bola, teria classe, habilidade, sentido de grupo e resolveria o problema do seu jeito, se por ventura ficasse sozinho. Raça? Todo cachorro tem. Não precisa ser cobrada e nem valorizada, é intrínseca.
Primeiro, a época. Por que será que só na Copa do Mundo o povo presta atenção no futebol? Reúnem-se em frente àquela caixinha quadrada, que ultimamente ficou comprida, e ficam latindo em voz alta uns com os outros e tem momentos que mandam calar a boca. Cachorro nunca faz isso. Quando um fala o outro abaixa a orelha. Eu preferencialmente, uivo.
No dia-a-dia, futebol é só para os viciados. Preferem mil vezes o time local a seleção. Não usam bandeiras do Brasil e nem as cores do país em suas roupas e objetos de uso próprio. O coitado do meu dono, foi estudar na Europa em 1994, ficou impressionado com o patriotismo saudável dos humanos de lá. Quando chegou, tentou comprar uma bandeirinha do seu país para colocar no consultório – ele é médico-humanitário, mas deveria ser veterinário – e só foi achar um exemplar fuleiro, numa livraria e papelaria lá no centro da cidade.
Vocês acreditam que este enfeite tão significativo para ele (como é besta o meu dono...) só é notado de quatro em quatro anos, na época da Copa? E olha que fica lá o tempo todo. O povo vê os carrinhos, as motos, os animais copulando, a foto da família, mas o símbolo do país, nada!
A escolha dos jogadores seguiu a linha de mediocridade que grassa neste território. Todos bem adestrados. Já até imaginei o dono deles – que vocês chamam de técnico – mandando nos rapazes: senta, levanta, junto, vamos, pega, morto, fica. Que lixo. Um bom líder comanda só de olhar. Não precisa rosnar, muito menos latir, como esse aí que aparece na TV em posição de defesa, com os braços cruzados, orelhas caídas e cauda entre as pernas. Um covarde agressivo!
Meus humanos criam peixes. Os anabantídeos. São lindos, fortes, coloridos, magros, respiram fora e dentro d’água. Atacam com precisão suas fêmeas, dominando-as como se fosse a bola. Hora com carinho hora com agressiva posse. Chamam-se respectivamente Ganso, Neymar e Robinho. Por que somente o terceiro foi convocado?
Desde quando experiência é prerrogativa de comportamento animal? Se tudo de bom que temos é genético? Vem de família? O aprendizado é necessário, tudo bem, mas o instinto primal é que vale. Ou você duvida que se um deles ficar focinho-a-focinho com o goleiro adversário vai dar chutão? Lógico que não! Craque é cão de seleção, coloca no canto ou por cima do goleirão. Cãopreenderam?
Minha revolta é tão grande que nem vou assistir aos jogos. E olha só que serão no meio da tarde, só para o povaréu matar o trabalho. Vou me programar para uma bela voltinha no quarteirão ao entardecer, no friozinho de junho. Enquanto vocês deveriam valorizar mais os atributos inerentes dos brasileiros, tais como a criatividade, a alegria o bom humor e protestar pela a escolha de um time que quase nunca abana o rabo e quando o faz é pro dono errado.
Úrsula Maff