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sábado, 9 de outubro de 2010

Quinta está no Ar: Filme "NEVE PRA CACHORO"



Este filme mostra os belos cães de neve do Alaska.
Titio COBRA esteve lá e andou de trenó. A corrida Iditarod é famosa.
Esses cães são muito fortes e determinados. A escolha do líder para guiar o trenó é fundamental.
Cuidado se você comprar híbridos (cão com lobo) , eles quase nunca obedecem você.

Tomei a liocença de pedir para meu tio, o COBRA uma resenha desse filme. leiam!


“Neve pra Cachorro”

Recém-chegado do Parque Denali, no Alaska, não resisti em assistir este. Cuba Jr é o artista. E os cães os coadjuvantes. Ou é o contrário? Após receber uma herança da mãe biológica, ele vai conferir os seus novos bens (uma matilha de “sled dogs”, cães de trenó e não “snow dogs” como o título em inglês) e de quebra, descobrir quem é o seu verdadeiro pai.

Conflito delicado esse de ser adotado. Talvez as crianças mais novas não entendam, mas é um bom gancho para discutir depois. Adoro as cenas dele se virando na neve com os animais, em Tolketna. E as figuras humanas alaskianas.

O Alaska é daquele jeito. Leia Jack London, veja “Caninos Brancos”, outro nível. Mas a comédia se desenrola bem. Esse chavão de colocar um sujeito totalmente por fora em um ambiente hostil, ainda pega.

Dentro da cachorrada não vi nenhum da raça Malamute, que são excelentes. E só achei um Samoeida, que são os cães de força, que vão perto do condutor. O líder é sem dúvida muito bem representado pelo Demo. Eles são assim. Voluntariosos. Não precisava acentuar os olhos e as caras dos bichos. Eles são lindos por natureza. E comem. E correm. Lobos de pernas um pouco mais curtas. Perfeitos para a neve. Dá dó ver um desses em Goiânia. Um husky aqui fica doido e o dono, um irresponsável sem coração.

A moça é uma gata. Mistura de japonesa com negra. Não tenho a menor idéia de suas origens, sei apenas que nasceu no Canadá e foi modelo. Somente no Havaí vi pessoas com o seu semblante. Reparem no sorriso. Belíssimo. A moça é uma simpatia. Ainda vai estourar. Saber lidar com animais é uma bênção.

Do meio para o fim, o filme fica meio esquisito. Porque muda de risada pra uma forçação de barra de querer salvar o pai e tudo mais. Voltemos nossos olhos congelados para a corrida de trenós. Iditaro é a maior de todas. Cruza o Yukon. Mas essa é boa também. Média de 100 kms percorridos por dia. Mushing é o nome da arte de conduzir esses animais.

Não sei qual foi o objetivo da Disney com esse filme. Rir ou chorar? E o ridículo auxiliar do Ted Jones, que sujeito mais besta! Feio e se acha engraçado. Parece cantor de pagode com clareamento de dentes e cérebro vazio.

De uma forma geral o final é esperado e diverte. Mas acho que a história em si poderia ser muito melhor.

O que há de bom: Alaska como cenário e os cães, perfeitos
O que há de ruim: poderia aproveitar mais a fauna local, que é riquíssima
O que prestar atenção: correr de um urso é impossível, eles alcançam 40 kms por hora e se cair na água e não trocar de meias imediatamente, perde os dedos, o pé e tudo mais, congelado
A cena do filme: o delírio em que os cães estão tomando sol em Miami

Cotação: filme regular (@@)

C.O.B.R.A.

sábado, 24 de julho de 2010

Será que eu preciso estudar para concurso?

Passeando no Lago das Rosas com o papai não tive como evitar em ouvir uma conversa dele com um velho amigo:

- E aí, amigão? Como vai? Está sumido...
- Estou estudando para concurso.
- Qual?
- São vários. O que eu passar está bom.
- E o que você está fazendo? E o trabalho?
- Não estou trabalhando.
- E o futebolzinho?
- Parei.
- E a esposa? Os filhos?
- Ela está agüentando bem o meu sacrifício. As crianças eu pouco vejo.
- Como assim?
- Eles têm aula de manhã, e eu acordo depois deles porque estudo até mais tarde. Não dá para almoçar em casa, e de tarde eles tem várias atividades...
- Nossa! Tá difícil, einh? Você está feliz?
- Nem um pouco. Mas quando eu passar vai ficar bom, vou ganhar bem, ter férias remuneradas e 13 salário. Vida tranquila. Segurança.

Papai despediu-se em silêncio e até ficou matutando como ele conseguira achar o antigo companheiro essa hora da manhã de domingo, no parque. Ele não resistiu e perguntou, para finalizar:

- Mas o que você está fazendo aqui, às sete da manhã?
- Ontem eu estava tão cansado de estudar que fui tirar um cochilo depois do Jornal Nacional e dormi até agora. Como fazia uns dois anos que eu não passeava nos fins-de-semana eu resolvi vir aqui. Depois que reformou ficou lindo, não?
- Acompanhei cada mudança, está maravilhoso.
- Tiau, amigo.
- Até.

Nem sequer olhei para o meu dono porque sei exatamente o que ele estava pensando. Assim como nós cães, ele vive o presente. Como poderia admitir uma pessoa que passa dois anos sem fazer absolutamente nada de produtivo para ele e para a sociedade? E ainda mais sendo amigo dele? Coitado! Tão parado que não vê o tempo passar. Depois não consegue emprego, a mulher o larga, as crianças crescem e os pequenos prazeres, a saúde do corpo se esvai.

O que será estudar para concurso? Concurso do quê? Cachorros têm atividades bem definidas, profissões. Por exemplo, um Shetland é um pastor desde os mais imemoriais tempos. Subindo e descendo as highlands escocesas dos ancestrais do meu dono. Atende a um assovio, é fiel, inteligente e conhece como ninguém o seu ofício, cercar ovelhas. Acho que esse sujeito quer é um emprego. Muito diferente do que uma profissão, uma carreira, uma vocação...

Como ele poderá ostentar a felicidade de um Malamute que traciona um trenó por quilômetros e quilômetros na neve e alimenta-se bem? O malamutes e os huskies fazem o que gostam, por isso são tão alegres. Humanos têm dificuldades em fazerem o que gostam.

Outra coisa é o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. Dobermans são cães de guarda por excelência e extremamente afetuosos em família, junto aos seus. Este animal vive bem com uma porção agressiva e mostra-se muito fiel com os donos e a prole, e a sua fêmea. No caso do colega do papai, ele está totalmente desequilibrado! Deixando de lado sua esposa e filhotes!

Acho que nem irei comentar a sensação de realização e de reconhecimento. Nesse quesito a nota do sujeito é zero. O que ele andou fazendo estes dois últimos anos? Será que até o saber adquirido é aplicável? Ou ele somente precisa saber as coisas para responder as questões? E depois esquece? Deixa prá lá? Um pequinês era cão de companhia dos grandes reis e rainhas da China, na Cidade Proibida. Sua função era regiamente compensada. Bichos satisfeitos e imponentes. Zelosos de seus donos, os pequineses ostentam olhos vívidos de prazer.

Sobre uma das molas que movem o mundo das pessoas, que é o dinheiro, eu fico até pasma! Pois na minha experiência cachorros com muita grana são estressados, vivem chateados e a vida familiar despedaçada! Nem vou dar exemplo canino nenhum. O próprio amigo do papai é um cão decadente. Fraco, careca, barrigudo. Só de dar uma corridinha conosco ficou ofegante. Tadinho. Perdendo o seu bem mais precioso, que é a saúde... Acho que a maioria das pessoas não sabe disso. Aposto que ele nem acasala bem...

Por essas e outras é que cheguei a conclusão de que um cão não deve estudar para um concurso. A não ser que seja uma sequência e conseqüência de sua vida. Se por exemplo um perdigueiro português sempre serviu para caça de subsistência, mas pode ser especializado em caça noturna, farejamento, busca e quaisquer outras fases de caça. Algo como pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-doc. O concurso se assemelha a algo em que muito são chamados (inscrições e fases) e poucos os escolhidos (entrevistas e números de vagas).

Obviamente que estas vagas são necessárias e devem ser preenchidas. Mas e o contingente excedente? Não teriam eles a condição de exercer uma profissão? Ou os humanos agora são frouxos, servos do poder público e de suas benesses incoerentes?

Nem se preocupem se o rapaz vai ler esse texto. Ele não tem tempo. Está estudando para concurso. E eu, sinceramente, torço muito para que ele seja aprovado e possa catar os cacos da vida despedaçada que deixou pra trás.

Úrsula Maff