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domingo, 1 de abril de 2012

Quinta está no ar, cinema: CAVALO DE GUERRA

Mais uma resenha do titio COBRA, onde ele expressa todo seu amor por esses poderosos e meigos animais: os cavalos! Ah, todo schnauzer é louco com cavalos...

“Cavalo de Guerra”

Meu pai foi diretor do Hipódromo da Lagoinha, adorava cavalos e montava esplendidamente. Meu irmão, um cavaleiro nato, criou mangalargas marchadores e até hoje é sócio do clube local. E eu? Acho que em outra encarnação devo ter sido um deles, tamanho o meu apreço e identificação por estes animais extraordinários. O filme? Mostra a história de um castanho escuro, um “Hunter”, que puxava arado, corria, saltava e era amável como ninguém.

O pai é um ex-combatente miseravelmente marcado pela Guerra dos Bôeres, triste, sequelado e alcoólatra. A mãe já foi bela, ainda apaixonada por seu homem e encantada pelo filho. O rapazinho é doce, forte, sonhador, empolgante e empolgado. O cavalo? Inquieto, calçado nas quatro patas, estrela na testa e de uma resistência e velocidade incomuns, só encontrada no melhores Warmblood holandeses. Eles formam uma dupla inseparável. O rapaz e o animal.

Primeira cena é a da compra do bicho. Estarrecedor seu porte e andadura. Depois ele aceitando puxar o arado, coisa que cavalo que corre não faz. Cada momento é de superação o que vai –logo no início- levar as lágrimas os mais sensíveis. A família reunida por um objetivo comum, a lavoura. A chuva arranca o nabo, destrói os sonhos, tem que vender o tesouro.

Quem compra encanta-se imediatamente. Segunda cena de impacto é a corrida contra outro garanhão, este enorme, um PSI (puro sangue inglês) preto. Quem acha que serão inimigos, ledo engano. Tornam-se inseparáveis. Daí em diante a guerra explode totalmente, estamos na França, na Primeira Grande Guerra, apesar do batedor indiano, um sikh, errar feio, o cavalo sobrevive.

Dois irmãos desertores alemães, fogem com a dupla equina, param num celeiro. Menininha com o avô. Não tem jeito, você vai se emocionar. Sempre que alguém no filme se depara com o animal percebe imediatamente que se trata de um ser especial. E Spielberg faz questão de mostrar isso em planos fechados lacrimejantes e contraluzes de arrepiar o mais empertigado espectador.

Daí em diante as cenas dos horrores da guerra são violentas, mesmo aos olhos de um cavalo e pelo tamanho dos cílios, percebo que nem sempre é o mesmo animal-ator. E a andadura hora parece de um andaluz (puro sangue espanhol) e até apresenta o tríplice apoio característico dos mangalargas... Mas nada disso importa, o que ocorre é que o animal muda de dono e de lado no meio da estupidez bélica humana.

A morte de um belo exemplar é triste e o sol se pondo atrás é pungente, quase piegas. Entretanto com o galope desabalado que ele imprime, o filme parece correr direto para a tristeza imensurável. Arrebentando no peito os arames-farpados, rasgando no meio o front, arrastando-se pelas trincheiras, até cair no meio de lugar-nenhum.

Então a solidariedade surge quase que milagrosamente, belíssima cena em tons de cinza, profundo diálogo entre jurados inimigos. E o garanhão é desenrolado de seus freios e bridões de metal. E não acaba aqui.

Seu dono está perto, cego pelo gás, e ele passa ao lado, para ser sacrificado. Então, um som. Vale lembrar que todo animal de estirpe, assim como todas as famílias nobres, têm um sinal próprio, um assovio. E ele atende ao chamado de seu dono original. É de arrancar pica-pau do toco. O reencontro doloroso, emocionante, para ambos e todos ali presentes. Tendo o fim da guerra por testemunha.

Mais um leilão. Mais um lance. Mais uma batalha. Palavras de entrega e paixão, momentos de pura lembrança e a justiça é feita. E então, já em casa, nos campos elevados de Devon, o filho a casa retorna. Montado. E você, cinéfilo; desidratado de tanto chorar.

O que há de bom: animais espetaculares, cinegrafia sem defeitos e bela reconstituição da época

O que há de ruim: talvez exagere no melodrama, não sei, eu fui pescado desde o início, fui criado em Goiás, montando

O que prestar atenção: Finders Key é o nome de um dos 14 cavalos utilizados na filmagem, além do meu predileto; o Aroma

A cena do filme: pai e filho se reencontrando, isso sempre me desanca

Cotação: filme ótimo (@@@@)

COBRA

Quinta está no ar: Música Nancy Wilson I Wish You Love



Esta música é uma versão da famosa composição francesa "Que reste-t-il de nos amours" gravada pelo imortal Charles Trenet. Sua primeira gravação em inglês ficou linda, mas pesadona, feita por ninguém nada mais nada menos do que Nat King Cole. Vieram então várias interpretações. Mas a minha predileta é essa: doce, suave, quase uma bossa-nova, dando um frescor de limonada na música. Sua fãzona da Nancy Wilson.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quinta está no ar, pintura: MIRÓ "Cão latindo para a lua'

Picasso, Matisse e Miró são os pintores favoritos do papai, do século XX. Eu adoro Miró, artista catalão, que amava cães.

Essa obra ele mostra em destaque um animal uivando. A cor branca é da tela mesmo, e sua postura altiva, com as mesmas cores da lua, denotam sua importância.

Linda tela, se eu pudesse, comprava.

Úrsula Maff

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Quinta está no ar, cinema: AS AVENTURAS DE TINTIM

Mais uma vez o cinema trás um personagem canino maravilhoso: Milu. Sem ele o Tintim nada seria. Titio COBRA coloca o cão no devido lugar e desfia sobre o filme com maestria. Ele achou ótimo, eu ? Excelente!

Úrsula Maff

As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne

Quando estudava francês e cada vez mais fascinado pela língua, pedi a minha professora Lilou um livro. Ela disse: leia Tintim. Entrei num universo detalhista, colorido, que refletia um pensamento hora colonialista e estereotipado das primeiras edições até uma riqueza de detalhes e filigranas que somente Spielberg conseguiria colocar nas telas.

A escolha da técnica de captura de movimentos e performance através da computação gráfica foi perfeita. Parece teatro, e o desenho do Hergé (belga que criou o Tintim em 1929) permanece fiel ao original e até com aquele ar “vintage” do cabelo e das roupas. Ops, vamos ao filme!

No meio da praça, na feirinha local, uma miniatura de um navio belíssimo: o Licorne. Tintim, um repórter, sabe reconhecer o que é bom, pois tem imensa cultura de aventuras. Os subtextos, as imagens paralelas, são incríveis, tais como os figurinos, o andar do batedor de carteiras e o cachorro Milu. Esse fox terrier branco merece uma resenha só para ele, de tão importante que é, e também de suas estripulias constantes. E o rapazinho compra o modelo e quase que imediatamente surgem pessoas interessadas nele.

Segue-se então aquele ritmo frenético “spielberguiano” de ação, correria e perseguição. Onde somos transportados para o Marrocos, não sem antes passarmos por um navio a vapor gigantesco, com um comandante eternamente bêbado – no gibi ele é mais embriagado ainda – e um rival tenaz e malvado.

Aos poucos somos apresentados aos personagens secundários da obra de Hergé, tais como os irmãos gêmeos investigadores e suas falas sempre beirando o nonsense, o próprio marinheiro Haddock com sua determinação álcool-dependente e seus fantasmas familiares. Muito rico. Como por exemplo; a escrivaninha, tenho uma idêntica, de sua cabine. Ou então a sequência da tentativa de resgatar do falcão peregrino os três pergaminhos onde está a localização do tesouro...

Não há um minuto de descanso e à medida que Tintim e o Capitão tornam-se amigos, o desejo por aventuras aumenta. Até a descoberta o mistério que ronda o mapa, fazendo com que o Haddock possa rememorar sua batalha épica contra o Rackham no convés dos navios (cenas caprichadíssimas) e depois nos brindar com a mesma luta, agora atual, no cais, com aquelas enormes gruas de contêineres.

O filme termina linear e correto. E obviamente nos incitando a ler a obra de Hergé completa e esperar uma nova edição cinematográfica desse quadrinista fantástico e personagem lendário, Tintim.

O que há de bom: popularizar um personagem e autor meio que deixados de lado pelos americanos e consequentemente o resto do mundo ocidental

O que há de ruim: são três histórias diversas numa só, quem já leu, fica meio chateado

O que prestar atenção: as carteiras, os tipos de couro descritos, o interior do navio, tudo é muito, muito precioso e bem feito, um deleite aos olhos

A cena do filme: - Qual a sua fome de aventuras?

Cotação: filme ótimo (@@@@)

COBRA

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Quinta está no ar: Alceu Valença Como Dois Animais


Essa música me lança aos meus instintos primários, tais como a fome, a sede a vontade de acasalar. Alceu Valença tem uma voz especial e o naipe de instrumentos ao fundo é da melhor qualidade. Repare na música em si, além da obviedade da letra. Nos solos de sopro e cordas.

Úrsula Maff

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Quinta está no ar, pintura: Members of the Carrow Abbey Hunt

Pintura do século XVIII, mas precisamente de 1780, do autor inglês Philip Reinagle ( 1749-1833) . Mostra cinco belos exemplares de cães caçadores, olhando diretamente para a porta, altivos, em primeiro plano aguardando o dono, James Mead.

Note que os animais estão no claro e os humanos no escuro, ao fundo. Existe vívido movimento entre a matilha e lassidão e preguiça entre o bando.

Úrsula Maff

sábado, 28 de janeiro de 2012

Quinta está no ar, cinema: MINHAS TARDES COM MARGUERITE

Filme de uma beleza indescritível, dedicado aos amantes da leitura e da verdadeira amizade.
Cães são amigos e amam este tipo de filme. Cães também apreciam literatura.

Leiam a resenha do titio COBRA.

“Minhas Tardes com Margueritte”

Eis um filme para levar sua mãe, seja ela como for. Carinhosa ou ausente, dedicada e presente, dispersa ou controladora. Não importa, desde que vá. O efeito será imediato. Eu que fui criado em volta dos livros, com ambos os pais muito cultos e leitores ardorosos, vibrei.

A primeira cena em que o mastodonte do Gerard Depardieu encontra-se com a delicada senhora no parque é incrivelmente bem construída. Desde a câmera que capta cada pombo com suas características intrínsecas até o diálogo insólito e a cumplicidade imediata que se estabelece entre ele, o jovem – para ela, é claro – iletrado e tosco com a anciã vivida, sozinha e de um francês quase que acadêmico.

O perfil que se abre do sujeito é imenso. Vive com a mãe rude como ele, bêbada, fumante e apegada ao passado quando era fogosa e ardente. Suas lembranças de escola são funestas. Um professor que rima palavras que ele desconhece e que o encarna, e difama a cada aula. Uma agressão fortuita de um dos vários amantes de sua mãe (e nesse momento foi o único em que ele se lembra que ela o defendeu) e a eterna dificuldade com as palavras e as letras.

Sua vida é cheia de bicos. Entretanto sabe lidar com as pessoas, pois diante de sua simplicidade quase asinina – veja sua opinião quando o garoto argelino larga sua amante de 50 anos – ele agrada. O modo como age na feira, e em particular com seu jardim e a velha mãe vagabunda são de tocar o coração. Ele é gentil com todas, a característica dos homens bons. Inclusive sua namorada percebe claramente o quão valioso ele é.

Do outro lado uma mulher sólida, morando num asilo, e que encontra naquelas tardes um novo estímulo. Seu pigmaleão literário. Cada palavra é tão bem utilizada que imagino o roteirista corrigindo cada fala da empertigada lady. Seus trajes são elegantes, contidos. Seu andar é vacilante, mas a postura ereta, retilínea. Quero chegar lá assim...

Contudo o que mais me apraz ao vê-la é ouvi-la. Seu presente inicial é “La Peste” de Camus. Livro que tive que fazer uma extensa resenha. Depois ela lhe entrega um Petit Robert, dicionário trivial francês. Podemos conhecer um homem pelo número de dicionários que ele tem. E apesar do conteúdo belíssimo deste personagem, o Germain, ele cresce de maneira incomensurável quando começa a ouvir e a ler.

O filme torna-se então uma ode a leitura, aos mundos que os livros podem nos levar. E sem pieguice alguma, é de emocionar, de chorar.

O filme parece tomar contornos tristes e fatalistas, mas nada mais é do que o reflexo da realidade. Dura e inevitável sina do destino, o tempo. Inexorável. Mas as atitudes que tomamos para – ao menos – fazer com que seja amainado o sofrimento, é que nos tornam amorosos e humanos.

O que há de bom: relações de filho e mãe, postas em julgamento

O que há de ruim: não trás a lista dos livros citados e nem dos autores, uma bela aula

O que prestar atenção: nem tudo que queremos está nos dicionários, por isso a necessidade de criarmos o nosso próprio, com as nossas significâncias

A cena do filme: as falas dele com o pretenso intelectual da turma, são impagáveis

Cotação: filme excelente (@@@@@)

COBRA by Úrsula Maff

domingo, 22 de janeiro de 2012

Quinta está no ar: Música / Vivaldi - Four Seasons (Winter)



Apesar do verão ser a composição mais famosa, os solos de violino me encantam no "Inverno".
Vivaldi é para cães, em qualquer das 4 Estações!!!

Úrsula Maff

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Quinta está no ar, pintura, animação: CÃO CORAGEM

Este personagem é maravilhoso. Criado para uma série de TV. É tudo, menos infantil. Ele é um cão abandonado, sofre de um medo constante, e é amado por sua dona.

Entretanto o dono da casa o detesta e o perturba constantemente. Mesmo assim ele, que mora no Kansas, em "lugar nenhum", os salva de ameaças sobrenaturais e dificílimas de resolver.

Exemplo inteligente de situações e colocações atuais de "bulling", maus tratos e comportamento humano.

Úrsula Maff

domingo, 8 de janeiro de 2012

Quinta está no ar, cinema: ASAS DO DESEJO




Meu titio COBRA escreveu há tempos esta resenha, e eu adorei. Acho que anjos existem. E são vários. Muitos de quatro patas, raros de duas. A única coisa em comum é que ambos têm asas!


“Asas do Desejo”
O filme é de 87, em Berlim, a tradução literal seria “O Céu Sobre Berlim”. E começa em P&B com um poema belíssimo de Peter Handke, “Song of the Childhood”. Dois anjos observam a cidade, de cima e por dentro. Eles ouvem os anseios humanos, eles ocasionalmente os tocam, se aproximam e sutilmente dialogam, colocando idéias e ideais de sonho e resolutividade em suas dúvidas.
Não há diálogo. Somente pensamentos. As crianças podem senti-los e sorriem, em nenhum momento percebemos se elas realmente podem vê-los. Assim como os anjos caídos, personagem de uma carga poética incrível, de Peter Falk sendo Colombo, o ator vivendo seu personagem. Este apenas percebe a presença angelical. O mundo é cinza para os anjos e colorido para os humanos.
Mas é mais profundo do que isso. Eu diria que no momento em que existe amor, tudo se torna colorido. Como na primeira cena a cores, reparem. Já que no final ele “converte-se” em humano. Aliás, esta dubiedade de ser anjo e ajudar, mas nunca ter desejo e saborear as pequenas coisas que a vida nos dá é o cerne do filme e do roteiro.
Vejam por exemplo as crianças – e porque não citar também os animais, com os quais tenho inteira identidade e acerto – elas são as que fazem as perguntas mais difíceis e filosóficas do filme: - quem somos de onde viemos e para onde vamos? E o anjo caído quando enfim se liberta da vida monocromática, sorri à toa, esfrega as mãozinhas e tudo mais... E o que são os grandes homens afinal, simplesmente meninos crescidos que guardaram dentro de si a espontaneidade infantil e a capacidade de sonhar?
Você mulher, que dá uma guinada em sua vida e deixa de sonhar, relega a poesia de lado, abandona o irracional, não percebe que se mata a cada dia? Por outro lado, você rapaz, que só é o que os outros mandam ser, que obedece cegamente suas fêmeas – sejam a mãe, a esposa, a irmã e as vadias – não percebe que sua espiritualidade perde-se na sua inocência?
Ninguém vê isso. Os anjos, sim. Mas um deles deseja e o desejo é o que move o mundo. Um lápis pode ser pego na sua essência, um livro – tal como o excelente Hommes de XXe Siècle de August Sander, que o velho folheia na biblioteca – idem, mas o amor é sinônimo de humanidade.
Nick Cave toca, uma tríade que vai da igreja de coral ao rockão visceral. A música, sempre é dos deuses. Assim como o saber idem. Ou você ainda discorda que uma biblioteca é onde se encontram mais anjos, sejam caídos ou não?
O final é auspicioso. Deleite de monólogo, já que somente ela fala e ele a beija. Deixando o anjo de lado o visual de detetive dos anos 50 para o colorido atemporal da paixão.
O que há de bom: roteiro poético, exige calma e atenção
O que há de ruim: além do alemão que sou fraco e do japonês que nada sei, ouço inglês, espanhol e francês no filme, o que às vezes me impede de ouvir as vozes do coração
O que prestar atenção: o filme é baseado na poesia de Rilke “Elegias a Duíno”
A cena do filme: a procura da praça “Potsdamer Platz” pelo velho em que ela torna-se quase que uma lembrança imediata e a paisagem das crianças ali brincando, o que reforça que o verdadeiro sentimento, é atemporal
Cotação: filme excelente (@@@@@)

COBRA

Obs: além das bibliotecas, anjos também são fáceis de serem encontrados em Zoos, escadarias e matas ao redor das cidades, amando

sábado, 24 de dezembro de 2011

Quinta está no ar: música - Ravel Bolero Muti/Wiener Philharmoniker








Se o seu cão vai acasalar, não há música melhor. Um crescente em 18 fases. Não há animal que não goste. Atente aos variados metais, Ravel foi o "Rei da Orquestração". Aqui, o que seria apenas um exercício de técnica, virou uma obra-prima mundial.

Úrsula Maff (inspirada... aúúúúúúúúúúú)

domingo, 18 de dezembro de 2011

Quinta está no ar, pintura: MATISSE e Interior with a dog



Henri Matisse, junto com Picasso e Miró, são os pintores prediletos do papai, no século XX.

Já falei sobre ele em outra postagem, mas aqui tenho que ressaltar a figura elegante do cão deitado e as cores ao redor. Este quadro está no museu de Baltimore, USA e é de 1934.
Reparem que o cão é desenhado com poucos traços. Suas sombras são estilosas e ao mesmo tempo simples. Todo o quadro sugere movimento, exceto o cão, que repousa solene.
Lindo, sólido, sensacional.

Úrsula Maff

sábado, 3 de dezembro de 2011

Quinta está no ar, cinema: CHAPLIN

Criativo, inigualável, engraçado, amigo dos cães. Leia um pouco sobre a biografia do humorista mais amado entre os caninos.

“Chaplin”

O que une Chaplin, Picasso, Casanova? Resposta simples: o grande número de parceiras. Resposta complexa: a intensa fome de viver, a criatividade explosiva, a longevidade, a manutenção da lucidez, a produtividade. O que o filme mostra desde pequeno é um Charles Spencer Chaplin Jr talentoso, sem medo de se expor. Um homem completo com o coração de menino. A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.

Um irmão comum, uma mãe com distúrbios mentais. Aonde iria esse homem que consegue dar cambalhotas de frente e de costas, que ri de si mesmo, que vê o outro como um ser completo e que não consegue ficar parado? A persistência é o caminho do êxito.

Ele foi para os palcos, imitou bêbados e criou o mais célebre personagem do cinema, Carlitos, ou “The tramp” ou Charlot, depende do país. Mas a composição de botas longas, bigode, chapéu coco e aquele andar de marinheiro arqueado é universal. E o filme mostra de maneira sutil cada detalhe dessa criação ímpar. Se o que você está fazendo for engraçado, não há necessidade de ser engraçado para fazê-lo.

Ele granjeou risos em todas as platéias, mas a maior identificação foi com o proletariado. E Charles sabia disso. Contudo outras pessoas também, inclusive o poderoso J. Edgar Hoover viam-no como comunista. A perseguição foi implacável. Entre um casamento desfeito e outro refeito, Hoover tentava pegar o “senhor perfeito”. A humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhe dadas pela sociedade, não pela natureza.

Cada gesto criado por Robert Downey Jr está verdadeiro. Seu Chaplin é monumental. E quando ele estuda Hitler para compor o personagem – que fala! – do filme “O Grande Ditador” sua capacidade interpretativa sobe alto. Muito alto. E depois das sugestões de Douglas Fairbanks (seu amigão, e eu garanto que todo homem de valor tem um amigão do mesmo naipe) ele vai às telas. Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação.

O cinema deixou de ser mudo e Chaplin se adaptou, ou será que o cinema inteiro se adaptou a ele? Cantarolando “Smile” em “Tempos Modernos”, a música é dele e não a letra... Charles vai envelhecendo e é expulso do país que escolheu para viver. Nada mais injusto. Sua última mulher lhe dá oito filhos e a alegria de viver para sempre. O amor perfeito é a mais bela das frustrações, pois está acima do que se pode exprimir.

Morre no frio, na montanha, mas não recluso. Pois não existe uma pessoa no mundo que não tenha visto a silhueta magnífica desse impoluto homem. A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida.

O que há de bom: o roteiro que nos permite ver a grandeza desse homem especial e a bela atuação do jovem Downey

O que há de ruim: Downey insiste em pegar os objetos e cumprimentar as pessoas com a mão direita, Chaplin era um canhoto explícito, “gauche na vida”

O que prestar atenção: nenhuma cena de xadrez, uma das paixões de Chaplin, mas as roupas que ele veste no filme são estupendas

A cena do filme: quando os cabelos ficam brancos e o brilho do olho não muda absolutamente em nada

Cotação: filme ótimo

Obs.: as frases finais de cada parágrafo são todas de Charlie...

domingo, 27 de novembro de 2011

Quinta está no ar: Música / Mario Biondi & Duke Orkestra Live - "Close to You"


Se você é do tempo dos Carpenters e se deliciou ouvindo a Linda Carpenter cantando, experimente essa interpretação.

Mario Biondi é um italiano que canta em várias línguas. Sua voz maviosa encanta. Mas ele nunca deixa de ser italiano, veja suas mãos.

Papai nasceu goiano, criado no Rio e férias no Maranhão. Depois aos trinta se achava italiano, mas quando chegou aos quarenta descobriu-se cidadão do mundo.

Ele canta essa música para mim e eu fico quietinha, cante para o seu cão e veja o sucesso que é.

Úrsula Maff

sábado, 26 de novembro de 2011

Quinta está no ar, pintura: BROWN DOG AFFAIR

Esta estátua é um símbolo de uma luta.
Ela representa o cessar da vivivecção, ou seja.; a dissecação com o animal vivo, sem anestesia.
Este colocada em Battersea em 1906, na Inglaterra e destruída em 1910, provavelmente.

Úrsula Maff

domingo, 6 de novembro de 2011

Quinta está no ar, cinema: ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

Filme marcante, onde o titio COBRA faz várias referências caninas...


“Onde os fracos não têm vez”

Os sentidos são cinco. Aliados ao sexto, que poucas pessoas têm. Valendo-me de todos eles, o filme fede. Pois se no começo um cachorro manca com a pata quebrada, é óbvio que no final o Cão irá fazer igual. E somente por isso essa película pode ser considerada sensacional.

Quem atira e mata cachorro ou qualquer bicho que seja, não vale nada. Llewelyn - arrebentando no papel o bigodão de Josh Brolin - Moss está caçando (?!) no meio da solidão texana. Encontra uma carnificina, que até agora ecoa nos meus ouvidos os tiros de variadas armas e calibres, entre o fornecedor e o comprador de drogas. Somente um sobrevivente. Que pede água. Cada diálogo, cada som da Natureza, é um primor. A direção capricha nos ínfimos detalhes. Pedi para um grande amigo cego ver o filme. Ele adorou o que ouviu.

Ele, Llewelyn – que nomezinho difícil, assim como todos do filme, cheio de significados e referências, depois explico- retorna para ver o sujeito que estava morrendo. Um grande erro e único gesto humano no filme inteiro. E lá está o seu perseguidor. Com um cabelo nojento alisado, botas limpíssimas, uma arma de pressão de matar boi no Goiás Carne e a maldade, visivelmente transbordando do coração. Mais uma perseguição e tome bala em fantástico cachorro, Pit Bull Red Nose, nadador. Quase saí do cinema, de tão puto que fiquei. Alguém que reduz humanos a animais e vice-e-versa, é monstro.

O gosto de sangue escorre nas telas. Nada de risadas malévolas. Ou gritos de terror. Nenhum “gore”. O já clássico diálogo cheio de fel entre o matador profissional, Carson Wells (perfeito o Woody Harrelson) e Anton Chigurn (indescritível Javier Bardem) é de uma sutileza figadal que até assusta se mal traduzida for. Mas não o é. Então fica claro que o sujeito é mau mesmo, mas não é burro e muito menos inconseqüente. Ele treina seus gestos, ele calcula tudo. Ele é amargo como tamarindo azedo de fevereiro.

Toquemos a pele de quem morreu. Ela é fria. E frio é o resultado do narrador presente,o xerife Ed Tom Bell (o descaroçado Tommy Lee Jones). Sua visão de mundo é pessimista, triste, marmórea. O mundo ficou áspero. Sem dedos. Sem a palavra “soft”. Ele é o retrato em branco & preto do título original, “No Country for Old Man”. Sua cena vendo o que o assassino viu, tomando o leite, ou então a sombra de caubói ao entrar no quarto de motel, tudo muito dérmico. Aliás, epidérmico. Profundo.

Meu sexto sentido revela que o final não será exatamente o que a galera mediana e obtusa deseja. Adivinho o atropelamento facilmente. Quem vai sempre ao cinema, sabe das coisas, né? E a discussão profunda entre os garotos sobre o ato de dar a camisa, receber o dinheiro e dividir este lucro, revela no meu íntimo, que o mundo está mudado.

O que há de bom: direção beirando a perfeição, pelo menos cinco atores estão no melhor de suas atuações, diálogos “increibles” e sutilezas escrotificantes

O que há de ruim: ainda não sei, vou assistir duas vezes, com meus seis sentidos de COBRA

O que prestar atenção: em tudo, em tudo, redobrada atenção, até nas placas dos carros, no número de cervos sendo caçados, no figurino de cada ator e seus respectivo nomes

A cena do filme: difícil, mas vamos lá... que tal a lógica sem senso dele, ao encontrar com a garota Carla Jean e acusar o seu rival de que ele a entregou em detrimento do dinheiro

Cotação: filme excelente (@@@@@)

Giovanni Cobretti, o COBRA


by Úrsula Maff

sábado, 29 de outubro de 2011

Quinta está no ar, música: DIANA ROSS "It's My Turn" e "You're the Boss"


Não há cão que não goste de Diana Ross. Ela é o supra-sumo da afinação, da alma e do sentimento.

Michael Jackson tinha razão em querer se parecer com ela. Mas isso é impossível, ela é única.

Dentre as lendas que rodeiam o papai, uma delas diz que ele uma vez pegou um carro. Um carrão, um Opala 250 S, emprestado de um tio de sua namoradinha...

Aí ela colocou uma fita K-7 no Roadstar e tocou essas duas músicas seguidas, uma era pra ela e outra para ele...

O tal do toca-fitas era auto-reverse. Essas duas músicas estavam gravadas tanto do lado A como do B, tocaram incessantemente, a noite toda...

Diz a lenda. Mas eu não acredito, pois papai gosta mesmo é da Sade...

Úrsula Maff

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Quinta está no ar, pintura: CARAVAGGIO "O martírio de Santa Úrsula"

Caravaggio é o meu pintor predileto. Sua técnica é excepcional. Neste quadro ele escolhe o seu tradicional fundo escuro para dar aquele impacto tremendo na pele das pessoas.

Depois dele esse jeito de pintar recebeu até um nome: tenebrismo.

Esta tela foi pintada no ano de sua morte, 1610. Eles estava ferido, escondido, recuperando-se na Sicília. Alguns dizem que já decadente. Mentira! Acho o contrário... Ele está no auge.

Na sua próxima tela, a decapitação de João Baptista, ele atinge grau máximo de tensão e habilidade nunca antes vistos. Se Leonardo é matemático, Michelângelo é colorido, Caravaggio é emoção; pura!

Sua vida tumultuada, sua morte precoce, sua vida canina, me atraem.

Úrsula Maff

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Quinta está no ar, cinema: BONEQUINHA DE LUXO

Olá amigos,

Cão também é fashion. Nesta resenha do titio COBRA, mais uma vez vemos o bom gosto à toda prova. Filme emblemático de Audrey Hepburn, se eu fosse humana, seria como ela.

Úrsula Maff


“Bonequinha de Luxo”

Cena inicial, manhã de domingo em Nova Iorque, uma mulher muitíssimo bem-vestida desce do taxi e vai mirar as jóias da mais célebre casa do mundo neste quesito, Tiffany´s. Ela vira-se: misto de mulher e menina, rosto fino, gestos delicados, um sorriso arrebatador mesmo com a boquinha fechada, as costas, o cabelo volumoso preso, os óculos escuros meio-gatinho, o sonho na boca que até cheia é linda! Ela; se não é perfeita, chega muito perto. Audrey Hepburn é um doce.

Até o nome da personagem é charmosésimo: Holly Golightly, ou Lula Mei Barnes, uma menina que se casou aos 14, no interior, mudou-se para a capital no intuito de virar artista e depois caiu na vala comum da prostituição. Mora no apartamento de baixo de um japonês chato que não merece mais do que uma aparição ou duas no filme inteiro. E recebe em casa com a maior naturalidade um sujeito que nunca viu e em poucos minutos ele sabe tudo da história dela. Desde o gato até a bagunça organizada em que ela vive. Seu segundo vestido “um pretinho básico” torna-se um imediato objeto de desejo mundial, apenas pelo segredo do chapéu com apenas um lenço esvoaçante... Audrey é moda.

Lendo assim fica inverossímil, mas a atuação magnífica e sedutora de Audrey, faz-nos imaginar exatamente aquilo que qualquer homem pensaria. O que faz uma mulher como essa numa vida desse jeito? Ela; na segunda fala, já no apartamento dele – que também é remunerado pelas mesmíssimas razões que ela – sua naturalidade coloca-a deitada no peito nu do novo amigo. E esse resiste ao irresistível. Audrey é mágica.

Num vai e vem de festas e paqueras de milionários ela mostra uma máscara defensiva gigantesca. Uma barreira imensurável entre seus verdadeiros e ocultíssimos desejos, e a vontade de ficar rica a qualquer preço. A cena da festa, com a piteira, mostrando as figurinhas típicas de uma boca livre qualquer é apenas um desfile de sua beleza inexplicável. Hepburn torna-se eterna.

O sujeito está apaixonado, louco por ela e quando o antigo marido aparece, num “savoir faire” quase que impossível, ele a ajuda. Saem juntos, ela bebe muito e quase me esqueço da cena em que ela canta “Moon River”, simplesinha, de toalha na cabeça e calça jeans, mostrando umas pernas grossas e fortes que não ocultam o seu passado de bailarina. O tal escritor, leva um fora memorável. Hepburn é difícil.

Então, no outro dia saem para passear e nos deleitamos com uma das mais belas sequências de namoro do cinema. Aquele leve, descompromissado, quase infantil, cheio de brincadeiras, ela mostra todo seu arsenal de caras e bocas em que até cego ficaria maluco. Um beijo. No outro dia ele vai ao seu encontro. E ela sabe ser séria quando quer, e dura também. Audrey é um enigma.

Um novo marido, um novo país, o Brasil. Imaginem como seria exótico, vir para cá em 1961! E o cara agüenta aquilo tudo. Mas pelo menos vira homem e desiste de sua amante que o sustenta e volta a escrever. Um novo escândalo. Como mulheres encantadoras têm uma facilidade para se envolverem em roubadas, não? Audrey é livre.

Começa a chover, ela se desfaz do gato que com ela coabitava, como se recusasse a ser quem é. Selvagem, uma força da Natureza. Ouve então a verdade do único que a enxergou como um ser humano, uma pessoa capaz de amar e ser amada. Toca Moon River e eles se beijam. Até Audrey Hepburn, é humana.

O que há de bom: uma mulher em todo seu esplendor, fazendo a prostituta mais bela e bem vestida de todos os tempos

O que há de ruim: a presença inoportuna de Mickey Rooney no dispensável papel de senhor Yonioshi

O que prestar atenção: e imaginar que esse papel seria de Marilyn Monroe, e a música de Henri Mancini seria de Gordon Jenkins, impossível!

A cena do filme: cada aparição - com um novo figurino - de Audrey Hepburn ficará na memória fashion de todas as mulheres da época, e para os homens apenas ela; e mais nada

Cotação: filme ótimo (@@@@)

COBRA

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Quinta está no ar, música: MY SWEET LORD


Olá amiguinhos,

Todo mundo tem um Beatle de preferência, o meu é George Harrison. Quieto, calmo e tranquilo, como um cão. Peludo e fofo. Só casou duas vezes, fiel. Em cada álbum de seu grupo, umas duas ou três musiquinhas. Mas cada uma é mais linda do que a outra.

Escolhi essa porque é uma homenagem ao hinduísmo e tem todo o "esquemão" fonético das religiões judaico-cristã-ocidentais. Melhor sincretismo do que isso, só na Bahia...

Repare na sua roupa, seu sorriso discreto, na barba de schnauzer... Ele é lindo!

Úrsula Maff

ps. papai, apesar de se chamar John, gosta é do Paul...