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domingo, 1 de abril de 2012

Quinta está no ar, cinema: CAVALO DE GUERRA

Mais uma resenha do titio COBRA, onde ele expressa todo seu amor por esses poderosos e meigos animais: os cavalos! Ah, todo schnauzer é louco com cavalos...

“Cavalo de Guerra”

Meu pai foi diretor do Hipódromo da Lagoinha, adorava cavalos e montava esplendidamente. Meu irmão, um cavaleiro nato, criou mangalargas marchadores e até hoje é sócio do clube local. E eu? Acho que em outra encarnação devo ter sido um deles, tamanho o meu apreço e identificação por estes animais extraordinários. O filme? Mostra a história de um castanho escuro, um “Hunter”, que puxava arado, corria, saltava e era amável como ninguém.

O pai é um ex-combatente miseravelmente marcado pela Guerra dos Bôeres, triste, sequelado e alcoólatra. A mãe já foi bela, ainda apaixonada por seu homem e encantada pelo filho. O rapazinho é doce, forte, sonhador, empolgante e empolgado. O cavalo? Inquieto, calçado nas quatro patas, estrela na testa e de uma resistência e velocidade incomuns, só encontrada no melhores Warmblood holandeses. Eles formam uma dupla inseparável. O rapaz e o animal.

Primeira cena é a da compra do bicho. Estarrecedor seu porte e andadura. Depois ele aceitando puxar o arado, coisa que cavalo que corre não faz. Cada momento é de superação o que vai –logo no início- levar as lágrimas os mais sensíveis. A família reunida por um objetivo comum, a lavoura. A chuva arranca o nabo, destrói os sonhos, tem que vender o tesouro.

Quem compra encanta-se imediatamente. Segunda cena de impacto é a corrida contra outro garanhão, este enorme, um PSI (puro sangue inglês) preto. Quem acha que serão inimigos, ledo engano. Tornam-se inseparáveis. Daí em diante a guerra explode totalmente, estamos na França, na Primeira Grande Guerra, apesar do batedor indiano, um sikh, errar feio, o cavalo sobrevive.

Dois irmãos desertores alemães, fogem com a dupla equina, param num celeiro. Menininha com o avô. Não tem jeito, você vai se emocionar. Sempre que alguém no filme se depara com o animal percebe imediatamente que se trata de um ser especial. E Spielberg faz questão de mostrar isso em planos fechados lacrimejantes e contraluzes de arrepiar o mais empertigado espectador.

Daí em diante as cenas dos horrores da guerra são violentas, mesmo aos olhos de um cavalo e pelo tamanho dos cílios, percebo que nem sempre é o mesmo animal-ator. E a andadura hora parece de um andaluz (puro sangue espanhol) e até apresenta o tríplice apoio característico dos mangalargas... Mas nada disso importa, o que ocorre é que o animal muda de dono e de lado no meio da estupidez bélica humana.

A morte de um belo exemplar é triste e o sol se pondo atrás é pungente, quase piegas. Entretanto com o galope desabalado que ele imprime, o filme parece correr direto para a tristeza imensurável. Arrebentando no peito os arames-farpados, rasgando no meio o front, arrastando-se pelas trincheiras, até cair no meio de lugar-nenhum.

Então a solidariedade surge quase que milagrosamente, belíssima cena em tons de cinza, profundo diálogo entre jurados inimigos. E o garanhão é desenrolado de seus freios e bridões de metal. E não acaba aqui.

Seu dono está perto, cego pelo gás, e ele passa ao lado, para ser sacrificado. Então, um som. Vale lembrar que todo animal de estirpe, assim como todas as famílias nobres, têm um sinal próprio, um assovio. E ele atende ao chamado de seu dono original. É de arrancar pica-pau do toco. O reencontro doloroso, emocionante, para ambos e todos ali presentes. Tendo o fim da guerra por testemunha.

Mais um leilão. Mais um lance. Mais uma batalha. Palavras de entrega e paixão, momentos de pura lembrança e a justiça é feita. E então, já em casa, nos campos elevados de Devon, o filho a casa retorna. Montado. E você, cinéfilo; desidratado de tanto chorar.

O que há de bom: animais espetaculares, cinegrafia sem defeitos e bela reconstituição da época

O que há de ruim: talvez exagere no melodrama, não sei, eu fui pescado desde o início, fui criado em Goiás, montando

O que prestar atenção: Finders Key é o nome de um dos 14 cavalos utilizados na filmagem, além do meu predileto; o Aroma

A cena do filme: pai e filho se reencontrando, isso sempre me desanca

Cotação: filme ótimo (@@@@)

COBRA

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Quinta está no ar, cinema: AS AVENTURAS DE TINTIM

Mais uma vez o cinema trás um personagem canino maravilhoso: Milu. Sem ele o Tintim nada seria. Titio COBRA coloca o cão no devido lugar e desfia sobre o filme com maestria. Ele achou ótimo, eu ? Excelente!

Úrsula Maff

As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne

Quando estudava francês e cada vez mais fascinado pela língua, pedi a minha professora Lilou um livro. Ela disse: leia Tintim. Entrei num universo detalhista, colorido, que refletia um pensamento hora colonialista e estereotipado das primeiras edições até uma riqueza de detalhes e filigranas que somente Spielberg conseguiria colocar nas telas.

A escolha da técnica de captura de movimentos e performance através da computação gráfica foi perfeita. Parece teatro, e o desenho do Hergé (belga que criou o Tintim em 1929) permanece fiel ao original e até com aquele ar “vintage” do cabelo e das roupas. Ops, vamos ao filme!

No meio da praça, na feirinha local, uma miniatura de um navio belíssimo: o Licorne. Tintim, um repórter, sabe reconhecer o que é bom, pois tem imensa cultura de aventuras. Os subtextos, as imagens paralelas, são incríveis, tais como os figurinos, o andar do batedor de carteiras e o cachorro Milu. Esse fox terrier branco merece uma resenha só para ele, de tão importante que é, e também de suas estripulias constantes. E o rapazinho compra o modelo e quase que imediatamente surgem pessoas interessadas nele.

Segue-se então aquele ritmo frenético “spielberguiano” de ação, correria e perseguição. Onde somos transportados para o Marrocos, não sem antes passarmos por um navio a vapor gigantesco, com um comandante eternamente bêbado – no gibi ele é mais embriagado ainda – e um rival tenaz e malvado.

Aos poucos somos apresentados aos personagens secundários da obra de Hergé, tais como os irmãos gêmeos investigadores e suas falas sempre beirando o nonsense, o próprio marinheiro Haddock com sua determinação álcool-dependente e seus fantasmas familiares. Muito rico. Como por exemplo; a escrivaninha, tenho uma idêntica, de sua cabine. Ou então a sequência da tentativa de resgatar do falcão peregrino os três pergaminhos onde está a localização do tesouro...

Não há um minuto de descanso e à medida que Tintim e o Capitão tornam-se amigos, o desejo por aventuras aumenta. Até a descoberta o mistério que ronda o mapa, fazendo com que o Haddock possa rememorar sua batalha épica contra o Rackham no convés dos navios (cenas caprichadíssimas) e depois nos brindar com a mesma luta, agora atual, no cais, com aquelas enormes gruas de contêineres.

O filme termina linear e correto. E obviamente nos incitando a ler a obra de Hergé completa e esperar uma nova edição cinematográfica desse quadrinista fantástico e personagem lendário, Tintim.

O que há de bom: popularizar um personagem e autor meio que deixados de lado pelos americanos e consequentemente o resto do mundo ocidental

O que há de ruim: são três histórias diversas numa só, quem já leu, fica meio chateado

O que prestar atenção: as carteiras, os tipos de couro descritos, o interior do navio, tudo é muito, muito precioso e bem feito, um deleite aos olhos

A cena do filme: - Qual a sua fome de aventuras?

Cotação: filme ótimo (@@@@)

COBRA

domingo, 8 de janeiro de 2012

Quinta está no ar, cinema: ASAS DO DESEJO




Meu titio COBRA escreveu há tempos esta resenha, e eu adorei. Acho que anjos existem. E são vários. Muitos de quatro patas, raros de duas. A única coisa em comum é que ambos têm asas!


“Asas do Desejo”
O filme é de 87, em Berlim, a tradução literal seria “O Céu Sobre Berlim”. E começa em P&B com um poema belíssimo de Peter Handke, “Song of the Childhood”. Dois anjos observam a cidade, de cima e por dentro. Eles ouvem os anseios humanos, eles ocasionalmente os tocam, se aproximam e sutilmente dialogam, colocando idéias e ideais de sonho e resolutividade em suas dúvidas.
Não há diálogo. Somente pensamentos. As crianças podem senti-los e sorriem, em nenhum momento percebemos se elas realmente podem vê-los. Assim como os anjos caídos, personagem de uma carga poética incrível, de Peter Falk sendo Colombo, o ator vivendo seu personagem. Este apenas percebe a presença angelical. O mundo é cinza para os anjos e colorido para os humanos.
Mas é mais profundo do que isso. Eu diria que no momento em que existe amor, tudo se torna colorido. Como na primeira cena a cores, reparem. Já que no final ele “converte-se” em humano. Aliás, esta dubiedade de ser anjo e ajudar, mas nunca ter desejo e saborear as pequenas coisas que a vida nos dá é o cerne do filme e do roteiro.
Vejam por exemplo as crianças – e porque não citar também os animais, com os quais tenho inteira identidade e acerto – elas são as que fazem as perguntas mais difíceis e filosóficas do filme: - quem somos de onde viemos e para onde vamos? E o anjo caído quando enfim se liberta da vida monocromática, sorri à toa, esfrega as mãozinhas e tudo mais... E o que são os grandes homens afinal, simplesmente meninos crescidos que guardaram dentro de si a espontaneidade infantil e a capacidade de sonhar?
Você mulher, que dá uma guinada em sua vida e deixa de sonhar, relega a poesia de lado, abandona o irracional, não percebe que se mata a cada dia? Por outro lado, você rapaz, que só é o que os outros mandam ser, que obedece cegamente suas fêmeas – sejam a mãe, a esposa, a irmã e as vadias – não percebe que sua espiritualidade perde-se na sua inocência?
Ninguém vê isso. Os anjos, sim. Mas um deles deseja e o desejo é o que move o mundo. Um lápis pode ser pego na sua essência, um livro – tal como o excelente Hommes de XXe Siècle de August Sander, que o velho folheia na biblioteca – idem, mas o amor é sinônimo de humanidade.
Nick Cave toca, uma tríade que vai da igreja de coral ao rockão visceral. A música, sempre é dos deuses. Assim como o saber idem. Ou você ainda discorda que uma biblioteca é onde se encontram mais anjos, sejam caídos ou não?
O final é auspicioso. Deleite de monólogo, já que somente ela fala e ele a beija. Deixando o anjo de lado o visual de detetive dos anos 50 para o colorido atemporal da paixão.
O que há de bom: roteiro poético, exige calma e atenção
O que há de ruim: além do alemão que sou fraco e do japonês que nada sei, ouço inglês, espanhol e francês no filme, o que às vezes me impede de ouvir as vozes do coração
O que prestar atenção: o filme é baseado na poesia de Rilke “Elegias a Duíno”
A cena do filme: a procura da praça “Potsdamer Platz” pelo velho em que ela torna-se quase que uma lembrança imediata e a paisagem das crianças ali brincando, o que reforça que o verdadeiro sentimento, é atemporal
Cotação: filme excelente (@@@@@)

COBRA

Obs: além das bibliotecas, anjos também são fáceis de serem encontrados em Zoos, escadarias e matas ao redor das cidades, amando

domingo, 4 de setembro de 2011

Quinta está no ar, cinema: 007 O ESPIÃO QUE ME AMAVA

Já postei a música e não resisti em escolher a resenha do titio "COBRA" para emoldurar meu blog. Ele exalta o 007 e papai ama este personagem. Além da resenha em si, veja a letra da música na íntegra, além das descrições das locações e dos carros.


“007 – O Espião que me Amava”

1977. Roger Moore já havia consolidado seu estilo e o papel de James Bond, mas faltava algo. E então, logo na abertura – gravada no Canadá – em que ele fuzila de costas o seu perseguidor, esquiando em alta velocidade após um twist carpado e cai no vão austríaco com um antigo modelo de pára-quedas T-10 (aquele redondinho) com as cores da Inglaterra e toca o pianinho inicial da música: Nobody does it better. Makes me feel sad for the rest. Nobody does it half as good as you. Baby you're the best. Posso dizer com certeza absoluta que esse é um filme especial.

Major Amasova é vivida por Barbara Bach. Primeira bondgirl que interage de igual para igual com James. Ela é dura, linda, sexy – imagina um casal andando pelo deserto com roupas de gala sem perder a classe - e tem o mesmo treinamento dele. I wasn't looking, but somehow you found me. I tried to hide from your lovelight, but like heaven above me. The spy who loved me, is keeping all my secrets safe tonight.

Estamos em Abu Simbel, depois em Luxor, no Cairo e no meio desses magníficos e gigantescos monumentos eis que surge um rival à altura (desculpem-me o trocadilho, mas não resisti) de Bond: Jaws. Richard Kiel em momento mágico, é o dentes-de-aço, com seus 217 cm e fácies acromegálica mete medo em qualquer um. And nobody does it better. Though sometimes I wish someone could. Nobody does it quite the way you do. Why d'you have to be so good?

Se os personagens são fascinantes, a trama não deixa a desejar, pois no auge da guerra fria, agora submarinos nucleares são roubados por um louco visionário que deseja construir um mundo subaquático. Sua base é na Sardenha, vejam o diálogo entre Bond e Amasova sobre o local, delícia. Vamos direto para uma das minhas ilhas prediletas da Europa... The way that you hold me, whenever you hold me. There's some kind of magic inside you, that keeps me from running, but just keep it coming, how'd you learn to do the things you do.

A perseguição do carro de Bond, um Lotus branco, o mitológico Esprit S1 Turbo é de cair o queixo. Motos com sidecar, um Ford Cortina MK IV 2.3 Guia, helicóptero –pilotado pela deliciosa Caroline Munro, a Naomi - e espetacular salto no mar, a incrível transformação do bólido em um, pasmem, submarino! And nobody does it better, makes me feel sad for the rest. nobody does it half as good as you.

Obviamente que existirá um final nisso tudo, mas qual? Já que o dentes-de-aço parece ser indestrutível, o vilão Stromberg muito sapiente e preparado e a própria Amasova que ao saber que James matou seu antigo amante promete liquidá-lo ao final da missão. Entretanto James Bond mostra-se imune a todas as ameaças e em outra cena marcante, atira no lunático-aquático, joga Kiel aos tubarões e, ao deitar-se com Amasova, ela sucumbe aos seus encantos atirando na rolha do champagne, que novamente é provavelmente um Dom Pérignon '52 já que no filme anterior ele saboreia um '64 apesar de preferir a safra de '62. Baby baby Darling, you're the best, baby you're the best!

O que há de bom: música tema envolvente com letra que traduz o sonho de todo homem, além de personagens e locações marcantes

O que há de ruim: eu tinha somente 14 anos nessa época e nunca imaginaria o quanto esse filme depois significaria, vendo-o ali, no Cine Ouro, em Goiânia

O que prestar atenção: primeiro filme em que o próprio ator está representado no clipe da música

A cena do filme: ele se apresenta todo pomposo para o dono do clube local, no Cairo, James; James Bond e o sujeito responde; e daí?

Cotação: filme excelente (@@@@@)

COBRA


by Úrsula Maff

domingo, 24 de julho de 2011

Quinta está no ar, cinema: ENTERREM MEU CORAÇÃO NA CURVA DO RIO

Este filme tem uma mensagem de resistência de amor a suas origens. Cães gostam disso.
Escrita a resenha pelo titio "COBRA", ele começa com um parágrafo falando de histórias em quadrinhos e disserta sobre leituras. Gosto tanto da cultura "pop" como da literária. Ótimo texto.

Aproveitem...

“Enterrem Meu Coração na Curva do Rio”

Você lê revistas em quadrinhos? Não? Está na hora de começar. Sugiro que leiam – os aficionados pelo velho Oeste e a cultura indígena – Mágico Vento. O autor é Bonelli e existe em português. E o que isso tem a ver com esse filme? Simples, o gibi retrata muito melhor do que vários livros, ambos os massacres e suas razões políticas. O primeiro de Little Big Horn – onde morre o General Custer, enviado para se ferrar – e o segundo do riacho Wounded Knee que ficava no meio da reserva Pine Redge.

No final do século XIX, os índios estão reunidos e encurralados. Não há mais pastagens para todos. O homem branco, igual a gafanhotos, vem invadindo e destruindo o que pode. As estradas de ferro trazem atiradores que matam -por esporte- milhares de búfalos, a fonte protéica por excelência da maioria das tribos. Apenas Touro Sentado não participa das assembléias e não assina o tratado das reservas. Nuvem Vermelha, mais velho, concorda. Ambos são sábios e grandes líderes.

Paralelamente a história de Ohiyesa é descrita. Filho de um índio com uma branca, é buscado em sua tribo Sioux pelo pai, vai ser educado como branco. As cenas do trem são muito bonitas, assim como o dia-a-dia indígena. Fotografia cheia de focos e desfoques, com enquadramentos ricos em diagonais.

Ohiyesa torna-se Charles Eastman. Fica amigo do senador, é tido como exemplo. É um médico. Enquanto isso Touro Sentado faz um périplo pelos EUA, levando sua tribo até o Canadá. Lá é aceito para depois ser rechaçado. Sua autoridade é posta em dúvida, ele é o chefe.

Eastman vai para uma reserva onde está Touro Sentado, vê de perto o sofrimento de sua raça e o diálogo áspero com o Senador, que um dia o fez médico e deu-lhe vida confortável é poderoso, marcante. O choque está feito. Touro Sentado enfrenta a autoridade local, não respeita as regras, mas sem violência. Sua presença moral é imensa. Um homem possui três grandes forças: a física, a mental e a moral. Touro Sentado é um dos raros que exibe todas sem oprimir ou humilhar ninguém.

Os sioux estão tristes, quase patética a cena da “caça” de um jovem no curral dos touros. Cheio de significados e significância a breve discussão entre Touro Sentado e o chefe da reserva. Além de inteligente, Touro Sentado dispõe de fina ironia.

O filme é triste, assim como o olhar dos índios. Toda uma cultura e civilização destruída por outra. Quem é mais moderno e justo? Aquele que vive em igualdade, abolindo a propriedade privada – nem existe um nome em quaisquer línguas indígenas para isso – ou aquele que expulsa o rival, barganhando com dinheiro e poder os interesses escusos que estão ocultos? Interesses maiores do que a Black Hills, até.

Termina de maneira melancólica. Não tem jeito. Mas o registro é tão belo e as discussões tão atuais, que merece ser visto.

O que há de bom: fotografia bela e temas bem pertinentes à história americana

O que há de ruim: o livro é famoso e o li na minha adolescência, mas o filme é recente (essa juventude inculta que nada lê pelo menos veja) e pouco sucesso fez

O que prestar atenção: a palavra assimilação não é sinônimo de imposição

A cena do filme: a imponência de Touro Sentado, ao censurar os jovens só com olhar, depois de ouvir fofocas a seu respeito

Cotação: filme bom (@@@)

Giovanni Cobretti, o COBRA

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Quinta está no ar, cinema: ILHA DAS FLORES

Esse filme é um curta-metragem de 1989, do Jorge Furtado. Muita gente pensa que eu sou um cão ecológico. Mas eu sou é mesmo selvagem. Entretanto aprecio muito as causas conservacionistas, pois elas são as que mais se aproximam da minha maneira de ver e pensar (sim! cachorro pensa!) .

Leiam a resenha do titio COBRA e se possível veja ou revejam a fita. Está mais atual do que nunca.

“Ilha das Flores”

Ocasionalmente sou cobrado e criticado por não escrever sobre curtas-metragens. Realmente eu não o faço, mas isso não significa que não os veja e muito menos ainda que não os admire. Este, no caso, é imperdível. Na minha humilde opinião o melhor de todos os tempos do Brasil. Didático, criativo, belo, veloz, midiático e profundo. Querem mais?

Convidado para dar uma palestra de abertura da uma turma de ensino médio, pela professora Cynthia Alexandra, levei o filme. Por razões técnicas, não passou. A cena inicial dos tomates, do japonês e a conceituação do ser humano como uma animal diferenciado é perfeita.

Depois disso, conceitos e imagens são arremessados numa velocidade vigorosa e necessária. E a cada um deles minha atenção aumenta e meu critério de julgamento e crítica, idem.

Flores, perfumes, compras. A cadeia de produção está quase toda ali mostrada. Desde a matéria–prima, passando pela transformação, acúmulo, venda e utilização. Até o descarte, que é o lixo.

Em seis minutos de projeção fico impressionado com a quantidade de conceitos, todos adequados e de grande capacidade de discussão e reflexão. Os porcos aparecem e obviamente cercados de crianças e o lixão. Todos sabem o que vai acontecer e é duro.

A paulada da exclusão social é enorme. E do ponto-de-vista apresentado pelos autores e diretor, o Jorge Furtado; é brilhante. Qual a razão de tamanha discrepância e injustiça?

Os motes – palavras repetidas várias vezes com sentido evidente – são marcados mais uma vez. As imagens do tomate, da dona-de-casa, da Ilha das Flores, do lixo, dos porcos é muito bem colocada e os ângulos belos.

O final nos convida a reflexão e também á discussão. Será que um dia o ser humano perceberá que essa destruição ininterrupta do nosso planeta levará á nossa extinção. E; como dizem os índios lakota, da etnia sioux: “O homem branco precisa saber que não se come dinheiro, nem carros, nem eletrônicos.”

O que há de bom: criatividade e agilidade máxima em exíguos treze minutos

O que há de ruim: pouco divulgado nos lares em geral e nas escolas em particular

O que prestar atenção: quando se lê “Deus não existe”, não significa que quem filmou concorda ou não; cabe ao espectador tirar suas próprias conclusões

A cena do filme: a conexão das imagens e textos finais, já nos créditos, sobre o que é real (documentário) e ficção

Cotação: filme ótimo (@@@@)


COBRA

domingo, 5 de junho de 2011

Quinta está no ar, cinema: LENDAS DA PAIXÃO

Se eu fosse humana com certeza namoraria com este personagem vivido por Brad Pitt. O Tristan Ludlow. Mais animal do que gente. Selvagem, independente. Como sou uma cachorrinha, me contento em oferecer meus préstimos - lambidinhas, corridas, natação - em quaisquer aventuras de caça com ele.

Titio COBRA nos oferece uma resenha encantadora sobre esse filme que mostra muito das reações humanas mais típicas tais como o amor, a paixão, a família, a amizade, o ódio, a ignorância e a inveja.

“Lendas da Paixão”

Brad Pitt foi “descoberto” no filme Thelma e Louise, em 1991, e tornou-se um símbolo sexual mundialmente conhecido. Mas o que as pessoas ainda não sabiam é que este ator era também talentoso. Chega então o ano de 1994 em que no triplo lançamento de “Um Favor Indecente” (pouquíssimo visto no Brasil) e “Entrevista com Vampiro” e “Lendas da Paixão” Pitt mostras as três grandes facetas que o acompanharão para sempre: o cômico, o outsider e o selvagem. E sempre belo.

Aqui, aos 31 anos, no auge de sua realeza loira, com longas madeixas cuidadosamente clareadas e penteadas, ele é o filho do meio de nada mais nada menos do que Sir Anthony Hopkins: o indomável Tristan Ludlow. Entre o sério e responsável primogênito Alfred e o frágil caçula Samuel, ele brilha. Irradiando força e energia, monta cavalos no estado de Montana, lida com índios que o consideram um deles e sua simples presença perturba qualquer mulher heterossexual presente.

Samuel aparece do nada com sua noiva, a metida à independente Susannah, vivida por Julia Ormond, que por incrível que pareça está feia na tela. Perdendo de longe para a menininha índia que depois viria a crescer e a se tornar a espetacular Isabel (Karina Lombard). Susannah toca o terror. Sedutora e inconseqüente, faz com que os quatro machos –sendo que três deles são alfa-dominantes – apaixonem-se por ela. Irmãos e pai disputando uma mulher é algo errado e que geralmente resulta em morte.

Samuel vai para guerra e Tristan vai atrás. Para protegê-lo. Mas mesmo sendo um animal leve, resistente e flexível, Tristan não é onipresente. E seu irmãozinho do coração bate as botas de maneira inglória.

A culpa o perseguirá até o seu fim. Agora Susannah está livre. Para homens como Pitt o acasalamento é natural e apenas uma conseqüência da atração que despertam. E assim acontece. Sua alegria é contagiante e até o sorriso do seu pai aumenta na proporção em que é feliz.

Entretanto seu outro irmão a deseja. E não esconde seu objetivo. Tristan é um ser livre. Completamente. Se quer caçar, vai caçar. Se deseja dormir, refestela-se em qualquer lugar e pega no sono. E se decide buscar a si mesmo, seus desígnios próprios jamais conseguem ser impedidos. E ele parte.

Não sem antes amarrar a fêmea em promessa de aguardá-lo. Passam-se anos. Poucas notícias, e até uma carta em que a dispensa com poucas e curtas palavras. Assim Tristan age. Incompressível para o mundo de frouxos que o cerca, inclusive seu irmão que aproveita do fato e casa-se com aquela que sempre quis ter um Ludlow, seja ele qual for.

Num dia ensolarado qualquer o chão treme, os corcéis a galope resfolegam e com sua figura jovem, o sorriso imutável, Tristan retorna. Nada mudou. Nem a paixão de sua antiga eleita, a devoção do pai, o respeito do irmão e o amor daquela que a desejou ardentemente desde sempre: Isabel.

Susannah é maninha – expressão goiana para vacas que não conseguem emprenhar – e Isabel lhe dá os filhos mais bonitos do mundo. Tristan está doce e calmo. O urso que coabita seu coração e alma está adormecido. Ele negocia com álcool. Numa época em que isto é proibido. E incomoda os valentões locais.

É incrível como um sujeito como Tristan inverte a ordem local. Sua energia incomoda, desperta constrangimento e inveja. E assim os “donos” do negócio o atacam. E –mesmo que sem querer – causam uma morte impossível de ser digerida ou perdoada. A besta hibernada há anos a fio acorda e ele ataca.

Preso, chateado, irremediavelmente marcado. Chega o dia de sua libertação e obviamente a vingança. Quando ele agride o imbecil no celeiro, ou quando pede para que os inimigos o levem do local, mas não o matem na frente de sues filhos, nota-se a imensurável nobreza de sua pessoa.

E então, no último momento, o pai -já velho e sequelado- reage. E o irmão percebe que não se muda a Natureza de um ser como Tristan e o salva. Ali, pela primeira vez o clã Ludlow está em paz. O que explica, mas não justifica a necessária partida da insana Susannah.

O que há de bom: um grande ator superando o mito da beleza e esbanjando talento

O que há de ruim: a inveja, a incompreensão e o mundo medíocre retratado em torno do solar Tristan

O que prestar atenção: pai e filho são uma instituição insondável e impenetrável, e o fim daqueles que quebram este laço é sempre trágico

A cena do filme: - Eu vou ser jornalista ou advogado ou sei lá o quê, e você Isabel, o que vai ser quando crescer? – Vou me casar com Tristan.

Cotação: filme excelente (@@@@@)

COBRA

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quinta está no ar, filme: UM HOMEM CHAMADO CAVALO

Grande filme temático, sobre a Natureza e o homem. Os índios norte-americanos e sua nobreza impoluta.

Mais uma vez o titio COBRA nos brinda com uma resenha soberba sobre um filme que não pode deixar de ser visto.


“Um Homem Chamado Cavalo”

Richard Harris é um irlandês, foi jogador de rúgbi e nasceu em 1930. Os mais novos irão lembrar-se dele como Alvus Dumbledore. Outros como o English Bob do filme “Os Indomáveis”. E os mais antigos, de “Orca”. Mas quem tem mais de 45 anos certamente ficou marcado pela estupenda atuação neste filme em que ele é Shunkawakan, cavalo.

Capturado nas planícies do sioux, pela tribo de Mão-Amarela, torna-se o escravo da mãe do chefe local. Belíssimo desfiar de costumes dos índios. O dedo cortado pela perda de um filho, o casamento contratado, as danças, as cerimônias de guerra. Os cabelos compridos, as pinturas corporais, as armas, as cabanas.

Um espetáculo de identidade. Primeiro o sujeito é um ser humano, depois ele é um homem. Grande lição de gênero. Mas para isso, tem que provar seu valor e respeito perante a tribo. Enquanto ele deseja aprender com os indígenas, Batise -outro que foi capturado - só pensa em fugir, mas suas atitudes do dia-a-dia mostram que ele já se entregou.

Um belo dia, índios Chochones rivais espreitam a tribo. Ele os mata e deseja desposar a irmã do chefe. É aceito por ela, antes houve flores, olhares, risos, carinho. Tudo muito igual ao nosso mundo “civilizado”. Contudo ele é obrigado a passar pelo teste O-Kee-Pa. A sequência do seu inflamado discurso, somada ao sacrifício corporal, com direito a um jogo de luzes filmado de maneira incomum para o ano de 1970, é divino, um sonho.

A vida prossegue. Idílico cenário da vida “selvagem”. Particularmente só conheço o idioma Navajo, mas o deles (Lakota) é muito sonoro e interessante. Com várias palavras de origem onomatopaica. Mas isso não é tão valioso como amar e ser amado, e manter sua família. Ela está grávida.

Os inimigos atacam. A surpresa é grande e John Morgan luta bravamente. Muitas mortes inesperadas. Escalpos, tomahawks voando, flechas de ponta, lanças fincadas e o símbolo da tribo cai. Alguém tem que erguê-lo e tornar-se chefe. Um homem chamado cavalo, o faz.

Contudo as perdas são tão imensas e insuperáveis, que o inverno simboliza a tristeza dos fatos. Morgan ali deixa novamente de ser um inglês entediado, um animal de carga, para ser um homem.

O que há de bom: relato fiel e cuidadoso de uma tribo indígena, sem floreios e sem ser politicamente correto

O que há de ruim: alguns coadjuvantes não são índios, como Manu Topou ou Eddie Little Sky e sim mexicanos; e isso desvirtua um pouco

O que prestar atenção: o figurino é riquíssimo e só comparável aos estudos de Sergio Bonneli, o quadrinista que desenha Tex, Mágico Vento, Zagor e Ken Parker

A cena do filme: Io te tila , io te tila, io te tila , umas sete vezes e com paixão!

Cotação: filme ótimo(@@@@)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quinta está no ar, filme: NA NATUREZA SELVAGEM

Um dos filmes sobre a Natureza mais bonitos que já vi. Fotografia maravilhosa e cenas indescritíveis do Alaska.

Mais uma vez, o titio COBRA, arrebenta na sua resenha.


“Na Natureza Selvagem”

Li o este livro de John Krakauer, assim como a maioria das pessoas me deslumbrei anteriormente com “No Ar Rarefeito”. Mas este relato, quase um documentário, é mais do que o mergulho de um jovem em si mesmo e contra o status quo do sistema norte-americano vigente. O famoso american way of life. É um passeio dentro da América profunda, que é infinitamente mais bonita do que as grandes bolsas de consumo como Los Angeles, Nova Iorque e Miami. O filme resgata as grandes perguntas do ser humano: quem somos? De onde viemos? E para onde vamos?

Formado, rico, bem-nascido e leitor assíduo de Thoreau, Tolstoi e Jack London o garoto larga tudo. Vale a pena dizer que o primeiro é o ensaio do ecologista atual e seu livro “A Desobediência Civil” é um libelo de auto-suficiência, ele que morou numa palhoça a beira do lago Walden. Tolstoi era “fãzaço” de Thoreau, nem precisa falar mais nada. Contudo meu predileto é Jack London. Em toda sua obra é mostrada a luta do homem contra Natureza, ocasionalmente se integrando, e na maioria das vezes, sucumbindo.

Cenas belíssimas e fotografia muito rica. O deserto e suas cores esmaecidas no final da tarde. Os hippies - repare que ele procura incessantemente a figura do pai aproximando-se de todo homem mais velho e procurando sincera amizade – tão livres e ao mesmo tempo a mulher com uma carga pesadíssima do passado. O cinturão agrícola e a vida simples. Depois as corredeiras, a nudez espontânea. O México. A fronteira formal e a fronteira ideológica. E então a ascensão geográfica até o destino final: o Alaska.

Estive no lugar mais bonito do mundo em 2002 com meu filho nascido em 1994. O Alaska é a última fronteira. Os animais são vistos o tempo todo, a vida explode na primavera. Campos cobertos de flores. Mas a Natureza é muito realista e cruel.

O ator Emile Hirsch vai mostrando suas mudanças corporais através de um cinto autobiográfico. Sua interpretação é fruto do estilo melancólico do diretor Sean Pen, minimalista, sutil, verdadeira. Lindo. A maneira como aborda as pessoas, como conversa... um sujeito encantador. E sozinho fica, como tanto sonhou. Mas aí é que mora o perigo.

O filme não mostra os milhões de insetos que existem no Alaska. Porém as descrições de caça estão corretas. Se na teoria o rapaz é fantástico em questionar a sociedade, queimar dinheiro, não dar notícias aos pais e se afastar quando os relacionamentos interpessoais tornam-se mais intensos, na prática; ele é um ingênuo idiota.

Duas cenas emblemáticas: não matar o filhote de alce (carne tenra, em quantidade adequada, pois ninguém consegue comer um alce adulto sozinho, ou mesmo descarná-lo e guardar a carcaça) e colher uma planta CAL; cabeluda, amarga ou leitosa. Esses pequenos conhecimentos de sobrevivência na selva são fundamentais. Nenhum dos autores supracitados, no segundo parágrafo, irão salvá-lo da inanição.

O final é tranquilo, sereno e calmo. Fica conosco a discussão de valores da sociedade moderna consumista e o isolacionismo atual das pessoas. Será que ele, se amado fosse, partiria em busca de si e encontraria respostas? Ou faltou o abraço sincero do pai e a sensação da família para que o Alaska interior fosse apenas seu coração?

O que há de bom: cenário esplêndido, ator muito bom e roteiro delicado

O que há se ruim: a Natureza não é boa em má, apenas um ciclo; nascer, comer, reproduzir e morrer

O que prestar atenção: a trilha sonora é tão adequada que parece integrar os cenários com discrição e ao mesmo tempo poderosa emoção

A cena do filme: perdoando o filhote, nenhum predador faria isso, ele não conseguiu integrar-se a Natureza, pois a desconhecia profundamente tal e qual sua própria pessoa

Cotação: filme ótimo (@@@@)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quinta está no Ar: Filme "MARLEY E EU"


“Marley e Eu”

Um homem casado, uma esposa zelosa, e a casa vazia. E um cão. Adoro cães, posso assistir ao filme pela ótica canina ou pela humana. Uma será doce e outra meio amarga. Mas acredito que em um parágrafo cabem ambas. Cão-binação.

Ele é um jornalista meia-boca, cheio de sonhos que anda num carrinho europeu quebrado e está casado. E ela não consegue, ou não quer engravidar. Compra um cachorrinho, lindo, fofo, batizado de Marley. Um labrador cor de caramelo, totalmente indisciplinado. Cão-fusão.

O animal domina a casa de maneira completa, é um grande destruidor e os “pais” fazem-lhe as vontades todas. Enquanto isso o amigão –solteiríssimo- é repórter-investigativo e vive viajando. Cenas e cenas do animal arrebentando com todos os cômodos da residência, eu morri de rir. Cão-tinuação.

Até que ele numa enrascada total, tenta mudar de vida. Abandona os sonhos e resolve mudar para um condomínio chatésimo, mas seguro. E ela depois de um aborto, engravida. Novos takes do bicho se alimentando de mangas, almofadas, e até um presente de ouro. Arrebenta tudo, quebra até a paciência de ambos. Cão-tusão.

Ele recebe uma proposta irrecusável, muda-se para uma cidade fria e o ambiente de trabalho idem. A moça que sempre foi linda, entrega-se apenas ao trabalho. E Marley prossegue na sua saga de dono-da-casa sem limites ou prisões. O carro do repórter só vai melhorando. Cão-ciliação.

As crianças nascem e vão crescendo, umas briguinhas aqui e ali. O ator é muito simpático, gente boa, mas sem ação. Gosto quando ele escreve sobre o seu melhor amigo, o cão. Em vez de rivalizar por espaço com os novos rebentos, o Marley torna-se o melhor amigo deles. Não há cão-petição.

E a vida linear deles passa, com trabalho garantido, crianças lindas e um velho animal. Agora se arrastando, passando mal pela casa. O que toca as pessoas é a idealização de uma família padrão. Todos querem amar e serem amados. E somente um cão consegue fazer isso de maneira incondicional. Mas cães duram pouco, no máximo –os grandes- uns quinze anos. E aí? Final com muita cão-paixão.

O que há de bom: divertidas cenas das estripulias do labrador

O que há de ruim: a vidinha normal do casal não dá espaço para sonho mais altos

O que prestar atenção: eu vi uns quatro cães diferentes fazendo o Marley, a produção me respondeu que foram 22 e metade deles, filhotes

A cena do filme: o final lacrimejante, como eu já disse, amo cães

Cotação: filme bom (@@@)

Resenha gentilmente cedida por Giovanni Cobretti, O COBRA

Considerado entre seus pares como um dos sete melhores críticos de cinema do Brasil


Úrsula Maff